17 julho 2026, 23:11
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    MEMÓRIA CURTA

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    Há uma certa audácia – diga-se, quase teatral – em quem perde dez eleições consecutivas
    para a Câmara Municipal e para a Assembleia Municipal e, mesmo assim, continua a
    apresentar-se aos lousadenses como a voz autorizada sobre o que Lousada precisa. Dez.

    Um deslize seria uma má campanha, um ciclo desfavorável. Dez é uma sentença repetida,
    eleição após eleição, pelos próprios lousadenses .E sentenças repetidas têm um nome:
    veredito.

    Há pouco mais de seis meses, os lousadenses voltaram às urnas. Foram claros. Deram
    maioria à Câmara e à Assembleia Municipal. Uma escolha deliberada, consciente e
    inequívoca. Como se costuma dizer: as urnas não mentem. A oposição, essa, tem
    cultivado uma relação muito interessante com a verdade.

    Entretanto, surgiu a Iniciativa Liberal. E há que reconhecer o mérito: a sua chegada prova
    que Lousada acompanha os ventos do país, que há espaço para novas forças e que o
    eleitorado está atento. O que se tem visto na prática, na comunicação e na forma como
    falam, é uma história diferente da que é contada. São azuis por fora e laranjas por dentro.

    Divorciaram-se do PSD com toda a cerimónia, mas quem conhece a política local sabe
    que estes casamentos têm tendência a ser reatados. Daqui a quatro anos, o namoro
    recomeça. A política local tem memória longa, mesmo quando finge não ter.

    O fundamental é simples: Lousada está no bom caminho. O concelho é vibrante, as
    freguesias crescem, há investimento, há eventos, há pessoas que escolhem ficar. A
    narrativa do abandono, do esquecimento, do dormitório, da terra parada no tempo, foi
    construída com muito esforço por quem precisava dela para justificar a própria existência
    política.

    O problema é que as narrativas têm prazo de validade quando a realidade as
    contradiz todos os dias – e a realidade teima em dar razão a quem nela vive.

    Quando um povo responde com esta consistência, com este ritmo eleitoral de mais de 3
    décadas, talvez o problema seja mais profundo do que o candidato errado ou a campanha
    mal feita. Talvez seja a mensagem. Talvez seja a incapacidade de olhar para um concelho
    que cresce e, com honestidade, reconhecê-lo.

    Os lousadenses percebem. Percebem quando uma promessa é vazia, percebem quando
    uma alternativa é apenas um rótulo novo sobre ideias velhas, percebem quando a crítica
    existe para existir. E há seis meses voltaram a provar isso.

    Escolheram – de forma clara, de forma maioritária, de forma que não deixa margem para dúvidas. Lousada tem futuro e os lousadenses sabem-no. É por isso que continuam a construí-lo, eleição após eleição, com a serenidade de quem não precisa de gritar para ser ouvido.

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