18 outubro 2026, 03:01
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    UMA VILA QUE APOSTA NA SUA JUVENTUDE

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    O Festival VILA voltou a encher o Parque Urbano Doutor Mário Fonseca. Durante três dias, de 26 a 28 de junho, milhares de pessoas juntaram-se em Lousada para aquilo que se tornou uma das referências do verão na região norte. A afluência foi das maiores de sempre. Quem lá esteve sabe porquê.

    Vivemos num país que trata a cultura com desconfiança. Não dá lucro imediato, não aparece nos indicadores económicos, não rende votos fáceis. O resultado é conhecido: cada vez mais municípios cortam na programação cultural, reduzem festivais a eventos residuais ou entregam os espaços públicos ao silêncio. Lousada faz o caminho inverso. Aposta na cultura jovem com consistência, com ambição e com a convicção de que investir numa geração é a política mais séria que um município pode fazer.

    O cartaz desta edição refletiu bem essa ambição. Plutónio, Vizinhos e Dillaz são nomes que mobilizam jovens de todo o país – e mobilizaram-nos até Lousada, com entrada gratuita. A afluência que se viu no parque ao longo dos três dias confirmou o que já se sentia nas edições anteriores: o VILA cresceu para além das fronteiras do concelho e passou a ter peso no panorama nacional dos festivais de música urbana.

    Há uma história por trás disto que importa não esquecer. O Festival VILA nasceu de uma ideia de jovens lousadenses. Em 2015, um grupo de amigos, com idades entre os 18 e os 26 anos e vindos de várias freguesias do concelho, apresentou o projeto ao primeiro Orçamento Participativo Jovem da Câmara Municipal de Lousada. Ganharam. Criaram o nome, criaram o logótipo, criaram o conceito – e deram a Lousada um festival que hoje ultrapassa tudo o que aquele grupo de amigos alguma vez imaginou.

    O município percebeu o valor do projeto e apostou nele com seriedade. Transformar uma proposta nascida no Orçamento Participativo Jovem num dos grandes festivais da região norte exigiu visão, investimento consistente e a convicção de que a cultura segura os jovens a um território, atrai novos residentes e projeta o concelho para fora das suas fronteiras.

    A entrada gratuita diz muito sobre as prioridades de quem organiza o VILA. Qualquer jovem de Lousada, independentemente das suas condições socioecónomicas, pode assistir a um concerto de primeira linha no seu próprio concelho, num parque a céu aberto, ao lado dos amigos. Há algo de genuinamente democrático nisso, e num tempo em que ir a um concerto se tornou um privilégio de quem pode pagar, esse gesto tem um peso que vai além do cartaz.

    O que ficou desta edição vai além da memória de boas noites. Fica a confirmação de que Lousada tem um projeto cultural com identidade própria e capacidade de crescer. Fica a prova de que apostar nos jovens produz resultados visíveis, em afluência, em orgulho local e na projeção do concelho para fora das suas fronteiras.

    O VILA é, hoje, o que Lousada e a juventude têm em comum.

    José Regadas

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