A Federação Nacional dos Médicos (Fnam) quer que o plano de contingência do Hospital Padre Américo, em Penafiel, seja tornado público e conhecido pelos profissionais de saúde, face à pressão registada no serviço de urgência.
Segundo a presidente da Fnam, Joana Bordalo e Sá, nos últimos dias chegaram a estar cerca de 70 doentes internados sem condições nenhumas nos corredores da urgência, número que entretanto terá descido, mas que poderá voltar a agravar-se nos próximos dias. A dirigente sindical afirma que, apesar de existir um plano nacional, cada unidade deve adaptar e divulgar o seu próprio plano de resposta.
Em comunicado, a Fnam refere que, apesar de a administração da ULS Tâmega e Sousa ter assegurado, em dezembro, a implementação de um plano de contingência, este continua a não ser conhecido pelos médicos que lidam diariamente com a situação de sobrelotação.
Contactada pela Lusa, a ULS Tâmega e Sousa reconhece que atravessa “um período de enorme pressão assistencial transversal ao Serviço Nacional de Saúde”, apontou que o “atual volume de afluência e a necessidade de internamento, motivados maioritariamente por infeções respiratórias agudas e descompensação de doença crónica, enquadram-se nos cenários de ativação dos níveis de contingência (níveis 2 e 3) previstos no Plano de Resposta Sazonal de Inverno”.
“Apesar dos constrangimentos físicos e da sobrelotação, todas as medidas excecionais vão sendo tomadas para garantir a prestação de cuidados, com segurança e dignidade para os doentes que recorrem aos nossos serviços”, garante o conselho de administração.
Segundo a ULS Tâmega e Sousa, o Plano Sazonal desta unidade está atualmente no nível 3 e, além das medidas previstas neste nível, foram implementadas outras, entre as quais “abertura de Áreas de Contingência através do funcionamento pleno das Unidades de Transição para o Internamento 1 e 2, que representam um reforço de até 66 camas adicionais sob a responsabilidade do Serviço de Medicina Interna”.
Também está a ser reforçada a capacidade externa, com aumento da contratualização de camas ao setor social e privado para doentes agudos e crónicos, bem como o reforço da hospitalização domiciliária.
No campo dos recursos humanos, o conselho de administração fala em “reforço das equipas no apoio assistencial no Internamento do Serviço de Medicina Interna, com recurso a médicos de outras especialidades, nomeadamente Pneumologia, Infecciologia, Endocrinologia e Nefrologia, assim como de Enfermagem”.
Na resposta à Lusa, a ULS Tâmega e Sousa fala ainda e “ajuste da atividade” que se traduz em suspensão temporária da atividade cirúrgica programada não urgente, conforme protocolo de nível 3 “para libertar camas de internamento e equipas para o doente agudo”.
A ULSTS junta o Hospital Padre Américo (Penafiel), o Hospital de São Gonçalo (Amarante), bem como os centros de saúde, e serve uma população de cerca de meio milhão de pessoas, de 12 Municípios.


