Estou convencida de que, a esta altura, uma boa parte dos leitores já conhece, minimamente, os contornos do caso que opõe os Anjos a Joana Marques.
Em resumo, os irmãos Rosado acreditam terem sido prejudicados por Joana Marques, depois de a humorista ter partilhado um vídeo no Instagram, onde combina a interpretação dos Anjos, do hino nacional, durante o MotoGP de 2022, com caras de reprovação do, à altura, júri do concurso “Ídolos”, da SIC.
Ora, goste-se ou não da humorista, rindo ou não da montagem em questão, uma coisa parece-me evidente: Joana Marques não gostou daquela interpretação do hino feita pelos dois irmãos e mostrou isso mesmo, de uma forma que era para ter graça. Afinal de contas, é humorista.
O vídeo reúne mais de 150 mil visualizações. Certamente que muitos milhares acharam piada, outros nem tanto. Os Anjos, por certo, não acharam graça nenhuma ao conteúdo em questão, visto estarem a exigir em tribunal mais de um milhão de euros a Joana Marques.
Chegados aqui, se tudo isto lhe parece ridículo, pois bem, não se desacredite, porque isto é mesmo tão ridículo quanto parece. Pelo menos, estou disso convencida. Já para não dizer que acho tudo isto bastante insólito, dado que, ao que parece, os Anjos já admitiram que a interpretação em causa não foi das melhores, devido a problemas técnicos relacionados com a captação do som.
Ainda assim, saliente-se, os músicos preferiram ‘condenar’ a humorista ao invés da organização do MotoGP ou a SportTV. E não, não é verdade que Joana Marques tenha manipulado, de algum modo, o som do vídeo. Quem quiser pode, de resto, comprovar no YouTube isso mesmo, visto que há vários vídeos a reproduzir aquela interpretação dos Anjos.
Claro que, na imprensa, com o início do julgamento, têm sido publicadas notícias atrás de notícias. No entanto, como não é minha intenção explorar a polémica do ponto de vista mediático ou mesmo jurídico, pois foram vários os juristas e advogados chamados a comentar o caso, vou diretamente ao ponto que me trouxe até aqui hoje. Isto é, “o pecado dos Anjos”.
E qual é, afinal, o pecado dos irmãos Rosado?
É a vaidade, caríssimos leitores. E a vaidade, já dizia Al Pacino, é o pecado favorito do Diabo (deixa esta que está inscrita no filme “O Advogado do Diabo”). Parece inofensiva [a vaidade, claro está], mas só (nos) destrói, aproximando-nos mais do “mal” do que do “bem” (e no filme isso é muito claro).
Pois se até o Papa Francisco, há um ano, num encontro com humoristas, declarou que é possível rir de Deus, que espécie de seres superiores se consideram estes ‘Anjos’, pouco ou nada celestiais, para que não possam ser alvo de uma graça?

