15 janeiro 2026, 21:52
Mais
    InícioOpiniãoCRAVOS VERMELHOS

    CRAVOS VERMELHOS

    Published on

    Na semana em que celebramos a nossa liberdade, deixo-vos com uma reflexão sobre o que isso significa nos nossos dias e o nosso
    papel na celebração contínua desta data.
    Há mais de meio século, as correntes da tirania e da opressão foram
    quebradas pelas mãos corajosas e determinadas de militares e de
    populares, por nomes que ficaram para a história e por tantos outros
    ilustres desconhecidos. Num golpe de coragem e convicção, o povo
    português ergueu-se contra um regime autoritário, clamando por liberdade, justiça e igualdade.
    Em memória e respeito pelo passado, mas sobretudo pelo presente e mais ainda pelo futuro, as conquistas da Revolução de Abril não podem ser subestimadas. Foi um momento de renascimento para Portugal, um renascimento não apenas político, mas também
    moral e cultural. Foi o despertar de uma consciência coletiva, a
    afirmação de valores universais que transcenderam fronteiras e épocas.
    Nesta jornada épica, celebramos a conquista da democracia, o direito
    fundamental de cada cidadão participar ativamente na vida política do país. Recordamos o fim da censura e da repressão, o surgimento
    de uma imprensa livre e plural, capaz de desafiar o poder estabelecido e promover a verdade e a transparência.
    Relembramos todos aqueles que foram torturados, silenciados.
    Relembramos o papel de todos e de todas que mesmo perseguidos,
    nunca ousaram parar de lutar.
    Em especial, as mulheres, que embora perseguidas, algumas exiladas e presas, nunca pararam de lutar pela liberdade e por direitos até então negados.
    No entanto, mesmo perante todas estas conquistas, não podemos fechar os olhos aos desafios que ainda enfrentamos. A democracia é um processo contínuo, uma luta constante contra as forças que buscam acabrunha-la.
    Hoje, enfrentamos inúmeros perigos que ameaçam essa liberdade
    que tanto valorizamos. Desde o populismo até à polarização políti
    ca, desde a desinformação até à erosão das instituições democráticas, há forças que procuram minar os alicerces da nossa democracia.
    Há forças, já desenvergonhadas, que procuram repristinar ideais do
    passado e fazer abater direitos há muito conquistados e dados como
    assentes.
    Contra estes “engenheiros do caos”, devemos despertar o Homem da sua menoridade, da sua amnésia histórica, do preconceito, do cinismo, do oportunismo político, do conservadorismo saudosista e encapsulado, das múltiplas cegueiras, sociais, ideológicas,
    culturais.
    Desta forma, urge fazer do Abril de ontem, dos nossos avôs, dos nos
    sos pais, o Abril de hoje, o Abril dos netos e dos bisnetos, o Abril do amanhã e do futuro.
    Mobilizemos todas as nossas faculdades intelectuais e criativas para
    fortalecer os pilares da democracia, para construir uma sociedade
    mais justa, solidária, inclusiva e humana. Para reforçar o edifício democrático, precisamos de fortalecer a educação cívica, promovendo o pensamento crítico e o respeito pela diversidade de opiniões.
    Precisamos de defender a liberdade de imprensa, garantindo que os
    jornalistas possam exercer o seu trabalho sem medo de represálias ou intimidação. Precisamos de fortalecer as instituições democráticas, tornando-as mais transparentes e responsáveis perante os cida
    dãos.
    A Revolução do 25 de abril de 1974 é mais do que um aconteci
    mento histórico distante. É um lembrete poderoso do poder
    transformador da vontade humana, da capacidade de um povo
    unido para superar as adversidades e alcançar a liberdade e a justiça. Que esta celebração seja um momento de renovação do nosso
    compromisso com os ideais democráticos, um momento de reafirmação da nossa determinação em construir um mundo melhor para todos.
    Não podemos deixar cair abril no esquecimento: que se mantenha
    vivo o desejo de contar a história de cada um dos heróis, dos ilustres aos mais anónimos, de nos agarrarmos à palavra como único
    esconjuro contra o esquecimento, de contar, de nomear os factos gloriosos dos nossos pais, avós, vizinhos ou amigos mais velhos, de
    fazer da vida cívica um exemplo de resistência… porque, afinal, narrar é resistir, narrar é lutar com palavras contra todos aqueles que querem fazer esquecer, passando uma esponja na alma de um povo
    que, agora, pode gritar.
    Viva a liberdade! Viva a democra
    cia! Viva o 25 de Abril!

    DEIXE UMA RESPOSTA

    Por favor digite seu comentário!
    Por favor, digite seu nome aqui

    Publicidade

    mais recentes

    CRÓNICA DE JOSÉ REGADAS: JOGAR PELO SEGURO

    As eleições presidenciais aproximam-se envoltas num ruído de enorme incerteza. Não há candidaturas consensuais,...

    JOVEM MATA FAMILIAR EM FELGUEIRAS E QUEIMA O CORPO; SUSPEITO DETIDO PELA PJ

    Um jovem de 26 anos foi detido esta semana pela Polícia Judiciária (PJ) sob...

    HOMEM DE CERCA DE 80 ANOS FICA FERIDO APÓS COLISÃO RODOVIÁRIA EM PAREDES

    Um homem com cerca de 80 anos ficou ferido, esta quinta-feira, 15 de janeiro,...

    MUNICÍPIO DE LOUSADA CELEBRA DIA INTERNACIONAL DAS CIDADES EDUCADORAS COM MURAL NA EBS NORTE LOUSADA

    O Município de Lousada assinalou o Dia Internacional das Cidades Educadoras com a realização...

    INCÊNDIO DEIXA PRÉDIO EM PAÇOS DE FERREIRA INTERDITADO E MORADORES SEM PREVISÃO DE RETORNO

    Um incêndio numa garagem de dois blocos de apartamentos na Rua Nova Urbanização de...