Uma técnica de um laboratório russo, especializado no estudo da peste, morreu na sequência de uma pneumonia e colocou vários continentes em alerta, incluindo a Europa.
Localizado no território russo de Irkutsk, na Sibéria, o centro de investigação dedica-se ao estudo da peste e dos seus antídotos. Alegadamente, enquanto trabalhava, Daria Shipilova, de 28 anos, partiu um tubo de ensaio que continha uma amostra da bactéria responsável pela peste pneumónica. Pouco tempo depois, deu entrada no hospital com uma pneumonia e, após ter sido ligada a um ventilador, acabou por falecer.
A agência estatal russa responsável pelas doenças infecciosas, a Rospotrebnadzor, está a investigar o caso e afirma que a investigadora faleceu depois de lhe ter sido diagnosticada uma pneumonia de origem desconhecida. A agência garante que a “situação sanitária e epidemiológica na região de Irkutsk é estável” e que não foram detetados outros casos da doença.
Em oposição, multiplicam-se relatos não oficiais que contradizem o governo russo. Alegadamente, na sexta-feira, as autoridades sanitárias colocaram em isolamento, dentro do centro de investigação, mais de 60 colegas da cientista e há hospitais encerrados. Ainda, o órgão de comunicação social regional independente Liudi Baikala, afirma que se encontram quase 200 pessoas em observação por terem contactado com a técnica.
A negação da situação por parte de Moscovo não impediu a proliferação de preocupação nos outros continentes, como na Europa e América do Norte. A Comissão Europeia divulgou que se encontra a acompanhar de muito perto o possível surto da doença e referiu que se os países se encontram “muito melhor preparados para quaisquer pandemias” desde a COVID-19.
A peste pneumónica é um dos três tipos de peste causados pela bactéria Yersinia pestis e propaga-se facilmente de pessoa para pessoa, através de partículas respiratórias. Como esclarece o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, inicialmente, os doentes desenvolvem sintomas semelhantes aos de uma gripe, como febre, dores de cabeça e fraqueza. Mas, rapidamente desenvolvem pneumonia, com falta de ar, dor no peito, tosse e, por vezes, muco com sangue ou aquoso. A taxa de mortalidade é elevada mas, quando detetada a tempo, é facilmente tratada com antibióticos.



