Um estudo realizado a 103 reclusos da cadeia de Paços de Ferreira concluiu que existe uma elevada incidência de cáries e um impacto significativo da saúde oral no bem-estar físico e psicológico dos detidos.
A investigação, desenvolvida por investigadores do Instituto Universitário de Ciências da Saúde da CESPU e publicada no European Journal of Dentistry, indica que 68% dos reclusos apresentam cáries. Além disso, 24,3% reportam dor física e cerca de um terço refere desconforto psicológico associado à sua condição oral.
O estudo revela ainda que, em média, os reclusos apresentam cerca de 13 dentes perdidos, o que corresponde aproximadamente a metade da dentição de um adulto, evidenciando fragilidades significativas ao nível da saúde oral nesta população.
Segundo o jornal Verdadeiro Olhar, a investigação sublinha que a população prisional está em maior risco de desenvolver problemas de saúde oral, devido também ao acesso condicionado a cuidados de saúde antes da entrada em meio prisional.
Os investigadores defendem a implementação de programas estruturados de promoção da saúde oral e de medidas preventivas adaptadas às especificidades desta população, de forma a reduzir complicações futuras.
Para além da componente clínica, o estudo destaca também o impacto psicológico e social destas condições, com quase 30% dos participantes a referirem desconforto emocional associado à saúde oral.
O trabalho, realizado entre outubro de 2023 e junho de 2024, reforça a importância de integrar a saúde oral nas políticas de saúde em contexto prisional e sublinha o contributo científico da CESPU na análise de populações vulneráveis.




