Vários pais em diferentes regiões do Norte do país denunciaram acessos não autorizados às fichas clínicas dos filhos no portal do SNS24. Os casos terão sido detetados através das notificações automáticas da plataforma, que indicavam consultas aos dados clínicos por profissionais de saúde sem ligação aparente às crianças ou às respetivas unidades de saúde.
Entre os relatos conhecidos estão situações registadas no Tâmega e Sousa, mas também em concelhos como Vila Nova de Famalicão, Santo Tirso e Guimarães. Em muitos dos casos, os acessos dizem respeito apenas a crianças com idades entre um e seis anos, sem qualquer consulta indevida aos dados dos restantes membros do agregado familiar.
Um dos pais afetados contou ao JN que foi alertado pela creche do filho, de três anos, depois de outros encarregados de educação terem recebido notificações semelhantes. Ao verificar o histórico no portal, confirmou que a ficha clínica da criança tinha sido consultada por um médico fora da sua área de residência, durante a madrugada do dia 21 de maio.
A situação está a gerar preocupação nas redes sociais e levou já à apresentação de dezenas de queixas junto da Ordem dos Médicos, da Polícia Judiciária e através dos canais oficiais do SNS. O bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, admitiu que poderá estar em causa uma falha de cibersegurança ou segurança informática.
Também a associação CpC: Cidadãos pela Cibersegurança pediu esclarecimentos à Comissão Nacional de Proteção de Dados e apelou aos pais para verificarem os acessos registados nas contas dos filhos.
Segundo o JN, a Unidade Local de Saúde do Tâmega e Sousa confirmou igualmente que o caso está a ser acompanhado pelas entidades responsáveis e que decorrem investigações para apurar a origem dos acessos.




