As eleições presidenciais aproximam-se envoltas num ruído de enorme incerteza. Não há candidaturas consensuais, nem à esquerda nem à direita, e as sondagens oscilam, com empates técnicos, subidas artificiais e quedas abruptas que revelam mais ansiedade política do que convicção popular. É um momento de escolha difícil. É precisamente por isso que o voto não pode ser impulsivo nem simbólico. Enquanto eleitor de uma esquerda moderada, prudente e politicamente responsável, a minha escolha recai sobre António José Seguro. Não por entusiasmo acrítico, mas por convicção racional. Entre virtudes e defeitos, é o candidato que melhor responde às exigências do país real e não ao país imaginado nos slogans de campanha. Assumo que, numa fase inicial, considerei outras hipóteses. A candidatura do Almirante Gouveia e Melo seduz pelo capital simbólico e pela imagem de autoridade. Mas votar num candidato sobre quem não se conhece uma única posição política é o equivalente a disparar um tiro no escuro. Um Presidente da República não é um leitor disciplinado de discursos preparados. É alguém que deve olhar o país nos olhos, interpretar conflitos e assumir posições claras. Até agora, isso não aconteceu. António José Seguro apresenta-se de forma diferente. Com uma candidatura agregadora. Num contexto em que o equilíbrio político inclina-se perigosamente para a extrema direita, oferece estabilidade, previsibilidade e sentido institucional. Não promete ruturas artificiais nem aventuras personalistas. Promete diálogo, responsabilidade e respeito pelo papel constitucional do Presidente. Há quem critique Seguro por não gritar a sua identidade ideológica. Dizem que tem vergonha de dizer que é de esquerda. O argumento é fraco e revela mais sobre quem o usa do que sobre o candidato. Vergonha não é ser de esquerda moderada. Vergonha é confundir radicalismo com coerência. Vergonha é votar em candidaturas da esquerda radical que existem apenas para marcar presença, para provar que ainda respiram, sem qualquer ambição real de unir o país. A Presidência da República é uma instituição que exige equilíbrio, maturidade política e capacidade de mediação. António José Seguro compreende isso. E num tempo em que a política se tornou refém do ruído, da indignação e da radicalização, essa compreensão é tudo menos irrelevante. Jogar pelo Seguro não é jogar pelo medo. É jogar pela estabilidade democrática, pela responsabilidade institucional e por uma esquerda que não abdica dos seus valores, mas também não abdica do país. Num momento em que tantos preferem o gesto vazio ou a provocação fácil, escolher Seguro é escolher governabilidade, lucidez e sentido de Estado.


