15 janeiro 2026, 19:56
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    CONTRA A CORRENTE: DISCUTIR IDEIAS, OUVIR MAIS, PENSAR AINDA MAIS

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    A redação da Visão foi desmontada em julho deste ano, mas a revista continua nas bancas. Na altura, o diretor da publicação, Rui Tavares Guedes, afirmou ao jornal Público que “a melhor forma de defender o jornalismo é continuar a fazer jornalismo, enquanto pudermos e enquanto tivermos força e meios para continuar a combater”. Felizmente, continua a ser possível ter a Visão nas bancas em Portugal.

    Com efeito, e a propósito do “regresso inesperado dos grandes pensadores”, na última quinta-feira, a capa da Visão trazia uma reflexão simples, mas absolutamente fiel do ar dos tempos: afinal de contas, vivemos numa altura “em que muito discutimos, pouco ouvimos e ainda pensamos menos”.

    Como é que chegamos aqui é a pergunta que se impõe. Para respondermos a ela conviria ler e ouvir quem tem estudado o ‘fenómeno’. Muito resumidamente, o Estado da Arte nesta matéria reúne conceitos como informação, jornalismo, redes sociais, fake news, era da pós-verdade, bolhas mediáticas, democracia, algoritmos, inteligência artificial, intolerância e preconceitos. Não cabe aqui, portanto, a reflexão devida.

    Não obstante, e porque este é um meio de informação regional, importa assinalar que mais de metade do país não tem tal sorte e este é, igualmente, um ponto relevante na equação. Falo, em concreto, do “deserto noticioso” que se vem instalando em Portugal e, mais acentuadamente, no interior.

    Ora, falar em “deserto noticioso”, para quem não sabe, é falar de ausência de qualquer tipo de cobertura jornalística credível, regular e local. Uma ausência que comporta riscos, se acreditarmos que a falta de escrutínio público a que os jornalistas estão ‘obrigados’ compromete a fiscalização de poderes, logo o regular funcionamento das instituições.

    O jornal Público fala em 245 mil portugueses sem órgãos de comunicação social que reflitam sobre a sua realidade. Um número que tem tudo para aumentar, visto que, atualmente – dados de 2025 -, 54% do território nacional está “em elevado risco de não ter fontes de informação confiáveis e regulares sobre a realidade local, representando mais de 1,7 milhões de pessoas”. Conclusões que estão no relatório “Desertos de Notícias Europa 2025”, a que o PÚBLICO teve acesso e que divulgou, este mês, na notícia “Mais de metade do país em risco de ficar sem cobertura jornalística”.

    Mas o jornalista Ruben Martins lembra – e bem – que quantidade também não é sinónimo de qualidade informativa. Ter, portanto, jornalistas como meros “pés de microfone” e jornais, rádios ou tvs como simples ‘divulgadores’ dos comunicados de imprensa das autarquias também é um problema que merece, por certo, a nossa atenção. E ele está aí, bem instalado.

    Uma última nota: não compre gato por lebre. Nem todos os bons comunicadores são jornalistas, ainda que todos os jornalistas sejam bons comunicadores. A diferença está, pois claro, na creditação. Em Portugal, a carteira profissional é o único título legal que certifica a profissão e permite exercer jornalismo. Hoje, muitos “projetos” – mais ou menos bem intencionados – andam por aí, e, pese embora, se apresentem como jornalísticos, não o são. Pelo contrário, degradam a imagem do bom jornalista e dos verdadeiros profissionais.

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