Para fechar o ano, e como já é habitual, o jornal Público, à semelhança de outras publicações, fez o balanço de 2025 e apontou previsões para 2026. Um dos artigos, publicado no dia 31, intitulava-se “Doze personalidades para seguir em 2026” e nele constavam nomes óbvios, como o de Donald Trump, Ana Paula Martins e André Ventura, e menos óbvios, como o de Diogo Ribeiro, atleta, ou Isabel Guerreiro, que, segundo li, vai ser a primeira mulher a liderar um dos grandes bancos em Portugal.
Ora, inspirada neste título e, sobretudo, animada a partilhar a sua história, que tanto me surpreendeu pela positiva, decidi alinhar no ‘jogo’ e apontar um nome que aconselho a não perder de vista: Madalena Casanova. E passo a explicar.
Trata-se de um jovem velejadora, de apenas 20 anos, que tem a ambição de se tornar a primeira mulher portuguesa a participar na “Mini Transat”, uma regata transatlântica que se realizará em 2027.
Segundo o perfil que o jornal Público traça, numa outra notícia e sob outro contexto, Madalena deu já o primeiro passo para atingir esse objetivo: no último verão passou 11 dias sozinha no mar numa viagem que ligou França a Portugal, passando pela Irlanda. “Foram 1400 milhas sem paragens”, relata a jornalista Rita Caetano, “onde lhe aconteceu de tudo”.
Lembra a jovem, natural dos Açores, que: “foi atacada por orcas por três vezes num único dia, o que resultou num leme partido e em danos no outro. Ficou sem baterias para o piloto-automático, obrigando-a a passar uma noite inteira ao leme e passou 36 horas sem qualquer contacto com outros barcos”.
Ainda assim, Madalena Casanova mostra-se entusiasmada com a exigente regata transatlântica a cumprir no próximo ano. Regata essa que, ao que parece, parte de França, faz, depois, uma paragem nas Canárias e segue, daí, para as Caraíbas ou Brasil.
Durante esta expectável aventura em alto-mar, assim como em tantas outras passadas, Madalena terá apenas como única companhia o seu barco de 6,5 metros de comprimento. Aliás, como revela a jornalista encarregada de contar a história desta jovem, no barco de Madalena “não existe cama, casa de banho ou cozinha”.
Come “comida de astronauta”, isto é, leva consigo “alimentos liofilizados e desidratados”, e tem, para comunicar, um rádio VHS, um GPS, que dá coordenadas mas não mostra a posição no mapa, e um radar que permite saber se há outros barcos por perto. Nada de telefones, portanto, logo nada de chamadas para casa para matar saudades da família e amigos.
A este respeito, Madalena confessa que as viagens e regatas em solitário são muito mentais, além da preparação física, igualmente importante. Ora, tudo isto é verdadeiramente admirável em qualquer biografia, acredito eu, não obstante, relembro, Madalena tem apenas 20 anos. E vai sozinha para o mar, com a mesma firmeza como quem vai de férias para casa dos avós. Mesmo que não faça história na “Mini Transat”, já merece os meus mais sinceros aplausos.
Agora, como tudo, este sonho também está dependente de dinheiro. A Madalena tem uma campanha de angariação de fundos no Go Fund Me, para conseguir comprar o barco que usou para se classificar. Custa 80 mil euros. Espero que consiga. Será merecidíssimo, certamente.

