Gerir uma comunidade é mais do que acudir a pequenas urgências, é perceber para onde queremos ir.
Queremos um concelho que segura os seus jovens ou um concelho que os vê partir com um sorriso triste e uma mala feita? Queremos uma vila onde o comércio local respira ou apenas ruas bonitas com montras fechadas? Queremos freguesias vivas ou territórios que só aparecem nos discursos em tempo de campanha? Queremos habitação acessível ou apenas aceitar que viver perto da família se tornou um luxo?
Estas questões refletem problemas que se veem no jovem casal que quer comprar ou arrendar casa e percebe que o salário não acompanha os preços; no comerciante que abre a porta todos os dias sem saber se o mês chega ao fim; nos idosos que precisam de proximidade, cuidado e companhia; nas empresas que querem investir, mas não podem perder-se em labirintos burocráticos dignos de uma prova de resistência.
Uma terra com futuro não se constrói apenas com obras visíveis dos nossos empresários. Constrói-se com estratégia, planeamento, exigência e, sobretudo, coragem para dizer que nem tudo está bem, mesmo quando fica mais confortável fingir que sim.
E aqui importa dizer algo simples: gostar de Lousada não é bater palmas a tudo. É olhar para o que existe, reconhecer o que foi feito, mas recusar a ideia de que devemos contentar-nos com pouco. O amor à terra não se mede pela obediência, antes pela vontade de a ver melhor.
Lousada tem condições para ser mais do que um concelho de passagem. Tem localização, juventude, associativismo, identidade, património, potencial económico e muito talento. E como qualquer talento, é preciso potenciá-lo para que passe de projeto a realidade. E isso exige uma política local menos acomodada e mais inquieta com o futuro, à semelhança de um concelho que palpita juventude.
A verdadeira pergunta é esta: que Lousada queremos deixar daqui a quatro, oito ou doze anos? Uma vila adormecida na rotina, satisfeita com a mediania ou uma vila preparada para competir, atrair, fixar e cuidar?
Não se trata de querer transformar a nossa terra naquilo que ela não é. Trata-se precisamente do contrário: valorizar aquilo que ela tem de melhor, sem a condenar à pequenez. Uma comunidade pode ser próxima sem ser fechada e tradicional sem ser parada no tempo!
O futuro não se faz com discursos redondos, daqueles que dizem tudo e não comprometem ninguém. Faz-se com escolhas, e escolher é sempre arriscar desagradar a alguém, inclusivamente – e sobretudo – aqueles que estão naturalmente connosco por afinidade partidária.
Lousada merece uma ambição que não apareça apenas em períodos eleitorais, embrulhada em promessas e fitas inaugurais. Porque um concelho sem ambição acaba por pedir aos seus jovens que procurem futuro noutro sítio. E quando os jovens partem, não parte apenas mão de obra, parte energia, criatividade, família, comunidade e esperança.
Lousada não pode ser apenas o lugar onde voltamos ao fim do dia. Tem de ser o lugar onde vale a pena ficar. E isso, convenhamos, não é pedir demais. É apenas pedir o mínimo a quem acredita que uma terra deve ter futuro.




