Portugal está entre os 50 países do mundo que mais procuram conteúdos pornográficos. Sem surpresas, são os homens os principais consumidores, segundo um estudo elaborado pelo PornHub, uma das maiores plataformas mundiais de conteúdos para adultos. A faixa etária com maior número de acessos situa-se entre os 18 e os 24 anos.
Não obstante, e preocupantemente, na faixa etária dos 9 aos 10 anos, 11% afirmaram, para o estudo mencionado, ter tido já contacto com imagens pornográficas. Mais, das 1974 crianças inquiridas, 42% disseram mesmo ver “todas as semanas, todos os dias ou quase” tais conteúdos.
Ora, embora as consequências deste contacto precoce com a pornografia estejam devidamente documentadas, acredito que, infelizmente, não são largamente conhecidas. Ou, pelo menos, tidas em devida conta. Os profissionais de saúde, que lidam com estes miúdos, relatam, com frequência, encontrar jovens perturbados psicologicamente, em menor ou maior grau, dependendo das idades e da exposição. Não surpreende.
Além disso, sabe-se hoje, com rigor, que a pornografia promove a difusão de estereótipos de género prejudiciais, a objetificação do corpo das mulheres e até a agressão sexual. Isto tudo a acontecer ao mesmo tempo que vários estudos apontam para uma crescente legitimação da violência no namoro por parte dos jovens, sobretudo dos rapazes, e de uma crescente onda de ódio sobre as mulheres em geral e feministas em particular.




