Portugal registou 4685 mortes em excesso no inverno de 2025/2026, o valor mais elevado dos últimos dez anos, excluindo a pandemia de COVID-19. Segundo o relatório do Plano de Resposta Sazonal em Saúde, este número representa um aumento de 21% face ao esperado.
O documento aponta para um período crítico de nove semanas em que a mortalidade superou as previsões, afetando todo o país. No Norte, sobretudo no distrito do Porto, o frio intenso e a densidade populacional agravaram a situação.
Os idosos foram os mais afetados, com 2805 mortes em excesso no grupo com 85 ou mais anos. Ainda assim, também se registaram aumentos entre os 45 e os 64 anos, com mais 114 óbitos em duas semanas.
A combinação entre gripe, frio extremo e fatores como a pobreza energética contribuiu para este cenário, aumentando a pressão sobre o Serviço Nacional de Saúde. Durante os picos, o INEM recebeu mais de cinco mil chamadas diárias e a Linha SNS 24 ultrapassou os 25 mil contactos. Nos hospitais, as urgências chegaram a registar mais de dez mil episódios por dia.
Para encontrar valores semelhantes, é necessário recuar a 2014/2015, quando houve 5491 mortes em excesso. Nos anos mais recentes, os números foram mais baixos: 1609 em 2024/2025 e 3624 em 2023/2024.




