Começou hoje, 16 de outubro, o julgamento de Adriano “Quintanilha” Sousa e do inspetor da Polícia Judiciária (PJ), acusados de delinearem um plano para que o empresário fosse ilibado do esquema de doping da equipa de ciclismo W52-FC Porto.
O processo surge da acusação do Ministério Público (MP) que acusa Adriano Quintanilha e o inspetor da PJ de criarem um código de conduta falso, com o intuito de atestar que o empresário e a empresa de ciclismo Calvário Várzea, da qual era presidente, desconheciam o esquema de doping em investigação no processo Prova Limpa.
A primeira sessão de julgamento decorreu no Tribunal Local de Felgueiras e contou com a presença de Adriano Quintanilha e dezenas de testemunhas, incluindo a advogada da Calvário Várzea, ciclistas da W52-FC Porto e Nuno Ribeiro, diretor desportivo do clube de ciclismo. O inspetor da PJ foi ouvido por videoconferência, uma vez que se encontra a trabalhar em Timor-Leste.
Nesta sessão, o empresário e o inspetor informaram o juíz que, para já, não desejavam prestar declarações. Entre as diversas testemunhas, destacaram-se as declarações da advogada da Calvário Várzea, redatora do investigado código de conduta. A advogada disse ao tribunal que foi Adriano Quintanilha quem lhe solicitou a elaboração do documento e destacou que ninguém lhe deu qualquer tipo de instruções ou orientações sobre como o fazer. A testemunha explicou que o redigiu a partir de uma minuta deste tipo de documentos, com apoio da legislação da Federação Portuguesa de Ciclismo, do Instituto Português do Desporto e Juventude e da União Ciclista Internacional. A advogada afirmou que pensa ter entregue o documento ao empresário e que, a pedido de alguém que não consegue identificar, enviou-o a um outro colega advogado. Segundo a testemunha, o código não tinha como objetivo “proteger” alguém, mas sim servir de orientação à Calvário Várzea. Questionada pelo MP, a advogada não soube precisar “com certeza absoluta” se o documento foi redigido antes ou depois da investigação da Prova Limpa ter sido tornada pública, em abril de 2022, mas pensa que a questão do doping surgiu depois.
O julgamento continua no próximo dia 26 de outubro, com o MP a acusar o empresário de coação, o inspetor de favorecimento pessoal e ambos de falsificação de documentos.



